Quinta-feira, Março 24, 2005
.: Dos ecos que o coração faz....:.
Meu olhar sobre o mundo é como uma colcha de retalhos.Ponto a ponto teço. Meu tear é o universo e a lançada de mão é sob minha responsabilidade.A cada post me exponho. Sorrio. Choro. Sonho.É aqui onde cultivo esta medida de terra virtual.Até quando? Só sou dona do meu querer . quem escolhe não sou eu.. mas desfragmento qualquer possibilidade de recuo.Ao largo destas páginas viradas o que deixei para trás foram as sensações e emoções que coloquei na palma da mão do Universo. Ele cuida disso..ele cuida dos detalhes.. não eu. Nesta colcha de retalho existem pedacinhos coloridos que colocamos em destaque, com arremate mais fino,um contraste de cor que aviva os olhos da alma.Aqui, traço metas, teço pontos e o coração me leva. Colho os carinhos dos comentários como quem colhe flores... mesmo que sejam anônimas.. como diz uma amiga Querida.. " É sinal que minhas palavras tem eco.. isso é muito bom".. como este eco que apareceu timidamente nos coments.. com cheirinho e cor de Laranja Lima... Presente da Lali a Laranja Lima
Achei tanta coisa minha aqui, deste os tempos do Escudo do Leste, que só tenho que agradecer o eco carinhoso da Fátima que aliás faz florescer no cantinho dela..as cores e as flores das sementes daqui...
Nesta Colcha de retalhos do post de hoje , teço alguns pedaços de mim.. que um dia colcocarei junto ao Diário de Bordo da Aldeia dos Anjos..
ECOS I
No amanhecer da Alma abri todas as janelas..
despedi todas as sentinelas...
revirei meus guardados..retomei meus bordados..
revirei todos os cantos.....
reassumi meus encantos....
Adormeci menina... despertei mulher..
de cara lavada..alma enxaguada..
Pereciva e colorida Flor...
.: Bugra :. Diário de Bordo, Agosto de 1999
ECOS II
Um dia você se olha no espelho a procura dos seus traços de menina..
Percebe que talvez durante as noites algum duende travesso pintou traços em seu rosto.. deixou roto.. te escondeu criança..
Então depois de um tempo quando a maturidade vem.. você percebe que não foi travessura de duende algum.. e sim, uma brincadeira do tempo..
Do Diário de Bordo , L.Vermelha 1974.
ECOS III
Quando tudo acontece ao mesmo tempo, e tudo quer uma resposta rápida...
Quando labirintos se formam a nossa frente..é preciso aprender a não forçar a caminhada.
Quebre o gelo.E espere a luz brotar.Devagar.
E não esqueça de saber calar... às vezes ouvir faz parte dos planos futuros..
As vezes precisamos florescer.O mundo que nos cerca pede isso.
A semente precisa dormir para que a gente possa brotar sempre.
E no tempo certo.
Do Diário de Bordo, fazenda da Raia em Janeiro de 2004
ECOS IV
Às vezes silêncios doem..falam, ferem..mais que mil palavras..
Às vezes silêncios são bem-vindos á alma trazem calma.. Milimetricamente despretensiosos.. Deixam a alma sussurrar anseios, verdades..
Deixam que ecoem em nós as verdadeiras vertentes.Mesmo que estejamos impedidos da ação.
Mas isso não quer dizer que estejamos inertes.Temos vontades de ter e não ter.. De ser e não ser.. De simplesmente... Ficar assim.. Milimetricamente estática.. algumas vezes,mesmo latejando por dentro..
Dedos nos lábios... Perdida...esperando o eco da pulsação do coração que no silêncio irrompe..cadenciado. TUM TUM.
Do Diário de Bordo, num Dezembro quente e abafado em Porto Alegre .1978.
ECOS V
As portas sempre estarão abertas aos amigos. As portas de alma, as portas da casa. Os guardados nas gavetas.. os tantos livros que leio e releio. Das panelas da cozinha, ao álbum de fotografias. Pois aqui nada é meu. Dou a todos o sorriso e a paciência que aprendi a ter ao longo das caminhadas.Dou minha gargalhada farta quando a casa se enche de gente e acorreria começa.Dou a farinha, o leite , a manteiga para fazer o pão.. mas cada um sova o seu...pois é o calor das mãos que tempera a massa e faz crescer. Assim como a vida.. é o tempero do despreendimento , do apenas SER que nos faz aprender.. que nada é de ninguém e cada um tem o seu jeito.. Seu jeito de sorrir e de calar. De gargalhar e de silenciar quando preciso for.
É Outono. Minhas folhas caem uma a uma. Feliz.. sinto que me emprestaram mais uma Estação pra viver a caminhada longa das Sesmarias da minha vida......
Diário de Bordo, Fazenda da Raia no Outono de 2004 .
Um beijo na palma das mãos.. Apesar de ter pernas e as vezes ser
Difícil a caminhada as vezes eu Vôo...
.: Bugra:.